
Declaração Nova Fórmula na rotulagem de alimentos
Os cinco gatilhos da RDC 727/2022, quem está dispensado, como escrever e onde pôr o aviso, a contagem dos 90 dias e quatro casos resolvidos, do biscoito à troca de fornecedor.
Em resumo
NOVA FÓRMULA, NOVA COMPOSIÇÃO e NOVA RECEITA são as três declarações aceitas quando um alimento embalado muda a composição e, com isso, muda pelo menos um destes dizeres do rótulo: lista de ingredientes, tabela nutricional, advertência de alergênicos, presença de lactose ou presença ou ausência de glúten (RDC 727/2022, arts. 20 e 21). O aviso fica no painel principal por no mínimo 90 dias, contados da implementação da mudança (arts. 22 e 23). A IN 67/2020, que tratava do tema, foi revogada pela própria RDC 727 (art. 40, VIII). Este guia explica cada gatilho, as dispensas, a forma do aviso e quatro casos resolvidos.
Palavras deste guia
Siglas e termos que aparecem neste guia, em linguagem simples.
- Alimento embalado
- Alimento contido em uma embalagem pronta para ser oferecida ao consumidor (RDC 727, art. 3º, V). A resolução vale para os embalados na ausência do consumidor (art. 2º).
- Painel principal
- Parte do rótulo onde aparecem, com mais destaque, a denominação de venda e a marca ou o logotipo (art. 3º, XVI). É onde o aviso de nova fórmula precisa ficar.
- Alteração de composição
- Mudança na formulação que modifica pelo menos um dos cinco dizeres listados no art. 21. É o gatilho do aviso.
- Ingrediente composto
- Ingrediente feito de dois ou mais ingredientes, como gotas de chocolate num biscoito (art. 3º, XIII). Costuma trazer alergênicos que não aparecem no nome.
- Contaminação cruzada
- Presença de um alérgeno que não foi adicionado de propósito, vinda do cultivo, da produção, do armazenamento ou do transporte (art. 3º, VII).
- Programa de Controle de Alergênicos
- Programa para identificar os principais alergênicos e evitar a contaminação cruzada em todas as etapas (art. 3º, XVIII). É a base exigida para usar o "PODE CONTER" (art. 14, §1º).
- Data de implementação
- A data a partir da qual a nova composição passa a ser produzida. É dela que contam os 90 dias (art. 22). A norma não detalha o termo; registre a data do primeiro lote com a fórmula nova.
- Lote
- Conjunto de produtos do mesmo tipo, feitos pelo mesmo fabricante, num período determinado e em condições essencialmente iguais (art. 3º, XIV). Ligar lote e versão da fórmula é o que permite provar o prazo.
Resumo: quando o aviso é obrigatório e como aplicar
- O gatilho é a mudança de composição que altera pelo menos um destes dizeres: lista de ingredientes, tabela nutricional, alergênicos, lactose ou glúten (RDC 727, art. 21)
- Só três textos valem: NOVA FÓRMULA, NOVA COMPOSIÇÃO ou NOVA RECEITA, sem variações (art. 20)
- No painel principal, em caixa alta, negrito, cor contrastante e letras de no mínimo 2 mm, ou 1 mm se o painel tiver até 100 cm² (art. 23)
- Por no mínimo 90 dias desde a implementação da mudança. Depois pode sair sem peticionamento (art. 22)
- Os detalhes do que mudou ficam disponíveis por SAC, código QR ou outro meio (art. 24)
- Estão dispensados os embalados e vendidos no próprio estabelecimento, os embalados a pedido no ponto de venda e os produtos exclusivos para indústria ou serviços de alimentação (art. 7º, §2º)
O que a regra deixa claro
- A lista de gatilhos é fechada: mudança que não toca nenhum dos cinco dizeres não pede o aviso (art. 21)
- Três textos prontos, sem precisar criar frase (art. 20)
- Tamanho, cor e posição do aviso estão escritos na norma (art. 23)
- Passados os 90 dias, o aviso sai sem petição de atualização do processo (art. 22, parágrafo único)
- O detalhe da mudança pode ir para o SAC ou para um código QR, sem ocupar o rótulo (art. 24)
Onde costuma dar problema
- Troca de fornecedor tratada como "nada mudou", sem comparar ficha técnica e alergênicos
- Aviso com outro texto, como "Fórmula nova" ou "Novo"
- Prazo contado da aprovação da arte, e não da implementação da mudança
- Embalagem antiga em estoque usada com o produto já reformulado
- Aviso no verso, na aba que rasga ao abrir ou em área de selagem
Mudou isso? Precisa do aviso de nova fórmula?
| Tópico | Precisa do aviso? | Por quê |
|---|---|---|
| Entrou um ingrediente novo na receita | Sim | Muda a lista de ingredientes (art. 21, I) |
| Saiu um ingrediente da receita | Sim | Muda a lista de ingredientes (art. 21, I) |
| Proporções mudaram e a ordem da lista trocou | Sim | A lista segue ordem decrescente de proporção (arts. 11 e 21, I) |
| Proporções mudaram, mas a lista e a tabela declarada ficaram iguais | Não | Nenhum dos cinco dizeres mudou. Guarde o cálculo que mostra isso |
| Menos sal, açúcar ou gordura, com valor diferente na tabela | Sim | Muda a tabela nutricional (art. 21, II) |
| Ingrediente novo traz leite, ovo, soja, trigo ou outro do Anexo III | Sim | Muda a advertência de alergênicos (art. 21, III) |
| Lactose passa a ficar acima de 100 mg por 100 g ou ml, ou deixa de ficar | Sim | Muda a advertência de lactose (arts. 18 e 21, IV) |
| Produto passa de "não contém glúten" para "contém glúten", ou o contrário | Sim | Muda a declaração de glúten (art. 21, V, e Lei 10.674/2003) |
| Novo aditivo, como um corante ou um conservante | Sim | Aditivos entram na lista de ingredientes (arts. 12 e 21, I) |
| Novo fornecedor com a mesma especificação e os mesmos dados | Não | Nenhum dizer muda. Guarde a comparação das fichas |
| Novo fornecedor que muda dados do ingrediente | Avaliar | Refaça lista, tabela e alergênicos. Se algum mudar, aplique o aviso |
| Só a arte: cor, foto, fonte ou marca | Não | Não há alteração de composição |
| Conteúdo líquido muda e a receita fica igual | Não pela RDC 727 | O gatilho é a composição. Avalie as regras de conteúdo líquido e de informação ao consumidor |
| Bolo embalado e vendido na própria confeitaria | Dispensado | Preparado e comercializado no próprio estabelecimento (art. 7º, §2º, I) |
| Produto vendido só para indústrias ou restaurantes | Dispensado | Destinado exclusivamente a fins industriais ou a serviços de alimentação (art. 7º, §2º, IV) |
De onde vem a regra e qual norma usar hoje
A RDC 727/2022 é a norma de rotulagem geral dos alimentos embalados. Ela entrou em vigor em 1º de setembro de 2022 (art. 41) e reuniu num texto só regras que estavam espalhadas. O art. 40 revogou, entre outras, a RDC 259/2002 (rotulagem geral), a RDC 26/2015 (alergênicos), a RDC 136/2017 (lactose) e a IN 67/2020, que tratava da nova fórmula.
O art. 7º lista o que todo rótulo de alimento embalado precisa ter. A nova fórmula é o inciso V, "nos termos da RDC 421/2020, ou outra que lhe vier a substituir". A RDC 421/2020 é a regra geral sobre nova fórmula para produtos sujeitos à vigilância sanitária. Para alimentos, as condições práticas estão nos arts. 20 a 24 da RDC 727.
Material antigo que cita a IN 67/2020 não está errado no conteúdo, que foi mantido, mas está com a base desatualizada. Num parecer ou num relatório, cite a RDC 727.
A Anvisa discute a revisão da rotulagem geral em consulta pública (veja a notícia sobre a CP 1.400/2026). Proposta em consulta não muda a regra. Até sair uma norma nova, vale a RDC 727.
Os cinco gatilhos, um por um
O art. 20 manda declarar a nova fórmula quando o alimento sofre alteração de composição. O art. 21 limita: conta a alteração que resulta na mudança de pelo menos um dos dizeres abaixo. Se nenhum deles muda, a declaração não é exigida.
- Lista de ingredientes (art. 21, I): inclui entrada ou saída de ingrediente, mudança na ordem de declaração e mudança na quantidade declarada de ingrediente. A lista segue ordem decrescente de proporção (art. 11), e os aditivos vêm depois dos demais ingredientes, com a função e o nome ou o número INS (art. 12). Trocar a proporção a ponto de inverter dois ingredientes já muda a lista.
- Tabela nutricional (art. 21, II): inclui nutriente que entra ou sai da tabela e mudança nos valores declarados. A RDC 727 cita a RDC 360/2003 "ou outra que lhe vier a substituir"; hoje a tabela segue a RDC 429/2020 e a IN 75/2020. O que conta é o valor declarado, depois do arredondamento: se a tabela recalculada fica idêntica, esse gatilho não dispara.
- Alergênicos (art. 21, III): qualquer mudança nas advertências "ALÉRGICOS: CONTÉM..." ou "ALÉRGICOS: PODE CONTER..." (arts. 13 e 14). A lista do Anexo III tem 18 itens: trigo, centeio, cevada, aveia e híbridos; crustáceos; ovos; peixes; amendoim; soja; leites; amêndoa; avelãs; castanha-de-caju; castanha-do-pará; macadâmias; nozes; pecãs; pistaches; pinoli; castanhas; e látex natural.
- Lactose (art. 21, IV): o "CONTÉM LACTOSE" é obrigatório acima de 100 mg de lactose por 100 g ou ml do alimento como vendido (art. 18). Cruzar esse limite em qualquer direção muda o rótulo.
- Glúten (art. 21, V): a Lei 10.674/2003 exige as inscrições "contém Glúten" ou "não contém Glúten". Passar de uma para a outra é gatilho.
Quem está dispensado do aviso
O art. 7º, §2º, lista os casos em que as declarações de alergênicos (inciso III), lactose (inciso IV) e nova fórmula (inciso V) não se aplicam. Para a nova fórmula, a dispensa vale nos três casos abaixo.
- Preparado ou fracionado e vendido no próprio estabelecimento (§2º, I): o bolo da confeitaria embalado no balcão e vendido ali mesmo. Se o mesmo bolo for vendido num mercado, a dispensa acaba.
- Embalado no ponto de venda a pedido do consumidor (§2º, II): os frios fatiados e embalados na hora para o cliente.
- Destinado exclusivamente a fins industriais ou a serviços de alimentação (§2º, IV): o molho em balde vendido só para restaurantes. A dispensa desse inciso vale só para a nova fórmula. Alergênicos e lactose continuam obrigatórios, e podem ir nos documentos que acompanham o produto (arts. 16 e 19, §3º).
- Fora do campo da RDC 727: alimento vendido sem embalagem e prato servido no salão não são alimentos embalados na ausência dos consumidores (arts. 2º e 3º, V).
- Em São Paulo: o que o próprio estabelecimento prepara e embala sem o cliente segue os itens de rotulagem do art. 81 da Portaria CVS 3/2026. A dispensa da RDC 727 não dispensa a regra estadual.
Como escrever e onde colocar
O texto é um destes três, sem variações (art. 20, parágrafo único): NOVA FÓRMULA, NOVA COMPOSIÇÃO ou NOVA RECEITA. "Fórmula nova", "Novo", "Receita renovada" ou "Agora com mais sabor" não substituem a declaração.
A posição e a forma estão no art. 23. Repare na diferença para as advertências de alergênicos e lactose: essas ficam logo após ou abaixo da lista de ingredientes (arts. 15 e 19). O aviso de nova fórmula fica no painel principal, a face que o consumidor vê primeiro.
- Painel principal: onde estão a denominação de venda e a marca ou o logotipo (art. 3º, XVI).
- Caixa alta e negrito (art. 23, I e II).
- Cor contrastante com o fundo do rótulo (art. 23, III).
- Altura mínima de 2 mm (art. 23, IV). Em embalagem com painel principal de até 100 cm², o mínimo é 1 mm (§2º).
- Nada de área escondida: o aviso não pode ficar em local encoberto, removível ao abrir o lacre ou de difícil visualização, como áreas de selagem e de torção (§1º).
- Em português (art. 8º, I). Produto importado sem o aviso em português recebe etiqueta complementar antes da venda (art. 8º, parágrafo único).
Os 90 dias: de quando contar e quando tirar
O art. 22 exige o aviso por no mínimo 90 dias, contados da data de implementação da alteração de composição. O prazo não começa na aprovação da arte nem na compra da embalagem.
Exemplo: o primeiro lote com a fórmula nova sai em 15/10/2026. Contando 90 dias a partir daí, os rótulos levam o aviso pelo menos até 13/01/2027. A empresa pode manter por mais tempo, se quiser.
Depois do prazo, o aviso pode sair do rótulo, ou da etiqueta de nacionalização no caso de importados, sem peticionamento para atualizar o processo de regularização (art. 22, parágrafo único). Essa dispensa é só da retirada do aviso. Outras mudanças do produto que exijam atualização junto à Anvisa continuam com as regras delas.
Sugestão VittaCheck: planeje produção, compra de embalagem e arte juntas. Embalagem antiga em estoque não autoriza vender a fórmula nova com o rótulo antigo, porque a lista, a tabela ou as advertências deixam de corresponder ao produto.
O que informar no SAC ou no código QR
O art. 24 pede que as informações detalhadas sobre as diferenças em relação à versão anterior fiquem disponíveis por SAC, código QR ou outros meios. Esses canais complementam o aviso do painel principal; não o substituem.
A norma não fixa o conteúdo. Sugestão VittaCheck do que ter pronto antes do lançamento:
- O que mudou, em linguagem simples: "incluímos gotas de chocolate ao leite", "reduzimos o sal".
- Quais dizeres mudaram: ingredientes, tabela, alergênicos, lactose ou glúten.
- Alergênicos novos ou retirados, com destaque. É a pergunta mais comum e a mais séria.
- A partir de qual lote ou data de fabricação vale a fórmula nova, para o consumidor distinguir o que tem em casa.
- Um roteiro curto para o atendimento responder igual, sem improviso.
Passo a passo para avaliar uma mudança
Roteiro sugerido pela VittaCheck para o consultor ou o responsável pela rotulagem. A ordem importa: a decisão sobre o aviso vem depois de refazer o rótulo, não antes.
- 1. Registre o pedido: quem pediu, o que muda (receita, fornecedor, processo) e a data prevista.
- 2. Compare as fórmulas: antiga e nova lado a lado, com quantidades, na ficha técnica.
- 3. Refaça a lista de ingredientes: ordem decrescente, ingredientes compostos e aditivos (arts. 11 e 12).
- 4. Recalcule a tabela e a lupa: pela RDC 429 e pela IN 75 (veja o guia da tabela nutricional e o de açúcares adicionados). Compare os valores já arredondados.
- 5. Confira os alergênicos: fichas técnicas e declarações dos fornecedores, inclusive dos ingredientes compostos, e o risco de contaminação cruzada no processo.
- 6. Confira lactose e glúten: limite de 100 mg por 100 g ou ml e a declaração da Lei 10.674/2003.
- 7. Decida e registre: se algum dos cinco dizeres mudou, o aviso entra. Se nenhum mudou, registre por que não.
- 8. Revise alegações: "fonte de", "reduzido em" e "sem adição de" dependem da composição e podem deixar de valer, ou passar a valer (IN 75, Anexo XX).
- 9. Feche a arte: painel principal, caixa alta, negrito, contraste e altura das letras.
- 10. Marque o calendário: data do primeiro lote, data mínima para retirar o aviso e lotes de cada versão.
- 11. Prepare o atendimento: texto do SAC ou do código QR (art. 24).
Exemplo 1: biscoito de aveia que ganhou gotas de chocolate
Exemplo ilustrativo. Uma padaria fabrica biscoitos de aveia vendidos em mercados da região. A receita passa a levar gotas de chocolate ao leite, um ingrediente composto com açúcar, leite em pó e lecitina de soja.
- Lista de ingredientes: entram as gotas de chocolate, com os ingredientes delas entre parênteses. Se as gotas forem menos de 25% do biscoito, essa relação pode ser dispensada, menos a dos aditivos que tenham função no produto final (art. 11, §§1º e 2º). Muda.
- Tabela nutricional: açúcares, gorduras e valor energético sobem. Muda.
- Alergênicos: o rótulo dizia "ALÉRGICOS: CONTÉM AVEIA E TRIGO". Agora precisa incluir leite e soja, numa frase só iniciada por "ALÉRGICOS:" (art. 15, §3º). Muda.
- Lactose: se o produto passar de 100 mg por 100 g, entra o "CONTÉM LACTOSE" (art. 18). Depende da análise ou do cálculo.
- Glúten: já era "contém Glúten". Não muda.
- Conclusão: pelo menos três gatilhos. O aviso de nova fórmula é obrigatório, no painel principal, por no mínimo 90 dias. As alegações também precisam ser revistas: um "fonte de fibras" pode deixar de se sustentar com a nova composição.
Exemplo 2: salgadinho com menos sódio
Exemplo ilustrativo. Um salgadinho de milho tem 650 mg de sódio por 100 g. A indústria reduz o sal e o produto passa a 480 mg por 100 g. A lista de ingredientes continua na mesma ordem.
- Lista de ingredientes: igual. Esse gatilho não dispara.
- Tabela nutricional: o sódio declarado muda. O aviso é obrigatório (art. 21, II).
- Lupa: 650 mg passava do limite de 600 mg por 100 g para sólidos e semissólidos (IN 75, Anexo XV) e levava "ALTO EM SÓDIO". Com 480 mg, a lupa de sódio sai.
- Alegação: a redução é de 26%. O Anexo XX da IN 75 pede, para "reduzido em sódio", redução mínima de 25%, produto abaixo do limite da lupa e alimento de referência que não seja baixo em sódio. Confira também as regras do alimento de referência antes de usar a alegação.
- Tolerância não é atalho: a tolerância de 20% do art. 33 da RDC 429 é para a fiscalização. O art. 31 pede os valores que melhor representem o alimento. Mudou a receita e mudou o valor, a tabela muda junto.
Exemplo 3: troca de fornecedor de farinha
Exemplo ilustrativo. Um bolo embalado vendido em cafés tem "ALÉRGICOS: CONTÉM TRIGO, OVOS E LEITE". O fornecedor de farinha muda. A ficha técnica da farinha nova informa que o moinho também processa soja e que não é possível garantir a ausência de contaminação cruzada.
- Receita: a mesma, com as mesmas quantidades.
- Alergênicos: passa a caber o "PODE CONTER SOJA", agrupado com o "CONTÉM" numa frase única iniciada por "ALÉRGICOS:" (art. 15, §3º). O uso do "PODE CONTER" tem de se basear num Programa de Controle de Alergênicos (art. 14, §1º).
- Nova fórmula: o art. 21 fala de alteração de composição que modifica a advertência de alergênicos. Aqui o ingrediente mudou de origem e a advertência mudou. Sugestão VittaCheck: trate como nova composição e aplique o aviso, que custa pouco e protege quem tem alergia a soja e já conhecia o produto. Em caso de dúvida, consulte a vigilância sanitária ou a Anvisa.
- Tabela: se a farinha nova tiver composição diferente, recalcule. Se os valores arredondados não mudarem, esse gatilho não dispara.
Casos rápidos
Situações que aparecem nas consultorias, com a resposta curta e a base.
- Pão sem glúten que passa a usar aveia comum: muda a declaração de glúten e a advertência de alergênicos (aveia está no Anexo III). Aviso obrigatório.
- Iogurte que troca o leite integral por leite sem lactose: pode deixar de passar dos 100 mg por 100 g e perder o "CONTÉM LACTOSE". Muda também a tabela. Aviso obrigatório. Alegações de lactose têm regras próprias; confira antes de usar.
- Suco que troca o corante caramelo por outro corante: muda a lista de ingredientes (art. 12). Aviso obrigatório.
- Bolo que troca a forma redonda pela retangular: sem mudança de composição. Sem aviso.
- Marca nova, mesmo produto: sem mudança de composição. Sem aviso. Se mudar também o fabricante ou o titular da marca, atualize a identificação de origem (art. 29).
- Produto que volta à fórmula antiga: é uma nova alteração de composição em relação à versão atual. Avalie os cinco dizeres de novo.
Erros que aparecem na revisão
Os problemas mais comuns em rótulos reformulados, segundo o que a norma pede.
- Aviso com outro texto: "Fórmula nova" ou "Novo" não atendem o art. 20.
- Aviso no lugar errado: no verso, perto da lista de ingredientes, em vez do painel principal (art. 23).
- Letra pequena ou sem contraste: abaixo de 2 mm, ou de 1 mm no painel de até 100 cm² (art. 23, IV e §2º).
- Prazo contado errado: 90 dias da aprovação da arte, e não da implementação (art. 22).
- Aviso tirado cedo: o estoque de embalagens acabou antes dos 90 dias e a embalagem seguinte saiu sem o aviso.
- Gatilho ignorado: tabela recalculada e diferente, mas sem o aviso porque "a receita mudou pouco".
- Alergênico esquecido: o ingrediente composto novo trouxe leite ou soja e a advertência ficou igual.
- SAC sem resposta: o aviso está no rótulo, mas ninguém no atendimento sabe dizer o que mudou (art. 24).
O que guardar da revisão
A documentação que comprova o atendimento da RDC 727 deve ser apresentada à autoridade sanitária quando pedida (art. 38). Descumprir a resolução é infração sanitária, nos termos da Lei 6.437/1977 (art. 39).
Sugestão VittaCheck de registro por mudança: fórmulas anterior e atual, fichas técnicas e declarações de alergênicos dos fornecedores, memória de cálculo da tabela e da lupa, comparação dos cinco dizeres, decisão sobre o aviso com a justificativa, data do primeiro lote, lotes de cada versão, arte aprovada e texto do SAC ou do código QR.
Para o restante do rótulo, veja o guia de rotulagem nutricional. Para alergênicos no processo, veja o guia de contaminação cruzada.
Fontes públicas consultadas
Os links abaixo sustentam os pontos técnicos deste guia. Consulte a versão vigente e as regras locais antes de aplicar qualquer requisito ao cliente.
- RDC 727/2022: rotulagem geral e nova fórmula (Anvisa / AnvisaLegis)
- Perguntas e respostas sobre rotulagem de nova fórmula (Anvisa)
- Resolução RDC nº 421/2020 (Anvisa / Biblioteca Virtual em Saúde)
- RDC nº 429/2020, definição de açúcares e determinação dos valores nutricionais (Anvisa / AnvisaLegis)
- IN 75/2020: requisitos técnicos da rotulagem nutricional (Anvisa / AnvisaLegis)
- Perguntas e respostas sobre rotulagem de alimentos alergênicos (6ª edição, 13/05/2024) (Anvisa)
- Portaria CVS nº 3/2026, republicada no DOE-SP de 28/09/2026 (código 2026.09.25.1.1.37.12.13.214.2158476) (Diário Oficial do Estado de São Paulo, verificação de autenticidade)
Este conteúdo oferece orientação geral. Antes de definir um requisito ou assinar um entregável, confirme a norma vigente, o enquadramento do produto e as regras da autoridade local e do conselho profissional.
Mantenha cada revisão ligada à fórmula correta
Organize a formulação, os dados dos fornecedores, a memória de cálculo e a arte correspondente. Uma alteração precisa ficar identificada para não misturar versões do produto.
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