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Ficha e rotulagemAtualizado em 06 de outubro de 202619 min de leitura
Capa do guia Como fazer ficha técnica de alimentos

Como fazer ficha técnica de alimentos

Do peso bruto ao custo por porção, com fator de correção, índice de cocção e as temperaturas da norma. Inclui a planilha gratuita e o que preparar para os avisos de alergênicos de 2027.

Em resumo

A ficha técnica de preparação registra como um prato é feito de verdade: ingredientes com peso bruto e líquido, modo de preparo, tempos e temperaturas, rendimento medido, porção, alergênicos e custo. Nem a RDC 216/2004 nem a Portaria CVS 3/2026 usam o termo "ficha técnica", mas várias exigências delas dependem desses dados: a lista de ingredientes e os avisos de alergênicos do que o estabelecimento embala (CVS 3, art. 81), os avisos de alergênicos, glúten, lactose e álcool nos cardápios de SP a partir de 01/02/2027 (arts. 182 a 186) e o cálculo da tabela nutricional (RDC 429/2020, art. 32). Este guia ensina a fazer a ficha passo a passo, com fórmulas, um exemplo completo e a planilha gratuita.

Palavras deste guia

Siglas e termos que aparecem neste guia, em linguagem simples.

Peso bruto (PB)
Quanto do ingrediente sai do estoque, como foi comprado: com casca, osso, talo ou aparas.
Peso líquido (PL)
O que sobra depois da limpeza e do pré-preparo, pronto para ir à panela.
Fator de correção (FC)
PB ÷ PL. Mostra quanto comprar para obter a quantidade limpa. Um FC de 1,25 quer dizer que 1,25 kg comprado rende 1 kg limpo.
Índice de cocção (IC)
Peso pronto ÷ peso cru (líquido). Abaixo de 1, a preparação perde peso ao cozinhar, como carnes; acima de 1, ganha, como arroz e massas.
Rendimento
Peso ou volume da preparação pronta, medido na balança depois do preparo. Não é a soma dos ingredientes.
Porção
Quantidade servida a uma pessoa, em gramas ou mililitros, com o utensílio que garante esse tamanho.
Per capita
Quantidade de cada ingrediente por pessoa. É o que liga a ficha às compras em restaurantes e UANs.
Base ou sub-receita
Preparação usada em vários pratos, como molhos, massas e recheios. Tem ficha própria e entra no prato pela quantidade usada.
UAN
Unidade de alimentação e nutrição: cozinhas de empresas, hospitais, escolas e outras instituições.

Ficha técnica de alimentos em Excel

Gratuita após cadastro na lista de espera. Modelo em branco e exemplo fictício, com até 15 ingredientes, custo por porção e campos de preparo. Não calcula informação nutricional.

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Resumo: o que a ficha precisa ter e por quê

  • A ficha registra o que a cozinha executa: pesos bruto e líquido, modo de preparo, tempos e temperaturas, rendimento medido, porção, alergênicos e custo
  • Em SP, a partir de 01/02/2027, os cardápios avisam alergênicos, glúten, lactose e álcool de cada preparação (CVS 3, arts. 182 a 186). A ficha é de onde sai essa informação
  • Os pontos de temperatura do preparo vêm da norma: cocção a 75 °C no centro em SP (CVS 3, art. 59) ou 70 °C pela RDC 216 (item 4.8.8), e manutenção a quente a 60 °C ou mais por até 6 horas
  • Para a tabela nutricional, a ficha é a base do cálculo a partir dos ingredientes (RDC 429, art. 32, II e III)
  • Custo por porção = custo dos ingredientes pelo peso bruto comprado ÷ número de porções medido
  • Referências de 2026: FNN, 4 USN por ficha (R$ 428,56); SindiNutri-SP, 2 USN sem preparação (R$ 250,00) e 3 USN com preparação (R$ 375,00)

O que a ficha resolve

  • O prato sai igual com qualquer cozinheiro, no sabor e no tamanho da porção
  • O custo real aparece, com as perdas de limpeza e de cocção
  • O cardápio com avisos de alergênicos e o rótulo do que é embalado têm base
  • O treinamento de quem chega fica mais rápido
  • Compras e estoque passam a seguir o per capita, e não a memória

Onde as fichas falham

  • Receita copiada do caderno, sem pesagem na produção
  • Medidas vagas: "a gosto", "1 xícara", "um fio de óleo"
  • Rendimento estimado, e não medido na balança
  • Custo calculado pelo peso limpo, o que esconde as perdas
  • Ficha sem versão e sem data dos preços
  • Ingrediente composto sem conferência do rótulo, e o alergênico fica de fora

Receita de caderno × ficha técnica

Receita de caderno × ficha técnica
TópicoReceita de cadernoFicha técnica
Quantidades"1 xícara", "a gosto", "um punhado"Gramas ou mililitros, pesados na produção
PerdasNão aparecemPeso bruto, peso líquido e fator de correção de cada ingrediente
Rendimento"Serve umas 10 pessoas"Peso pronto medido e número de porções
Porção"Uma concha"200 g, servidos com a concha de 200 g
Modo de preparoPassos resumidosSequência, equipamentos, tempos e temperaturas
SegurançaNão registraCocção, manutenção e resfriamento com as temperaturas da norma
AlergênicosNão registraAlergênicos, glúten, lactose e álcool por ingrediente e no prato
CustoNão registraCusto por ingrediente, por receita e por porção, com data dos preços
ControleUma versão, na cabeça de quem fazCódigo, versão, data e quem validou

Para que serve a ficha e o que as normas pedem

A ficha técnica é uma ferramenta de gestão: nem a RDC 216/2004 nem a CVS 3/2026 a exigem com esse nome. O que essas normas exigem são resultados que, na prática, só saem bem feitos de uma ficha.

  • Temperaturas do preparo: a cocção precisa chegar a 75 °C no centro geométrico em SP (CVS 3, art. 59) ou a 70 °C pela RDC 216 (item 4.8.8), salvo combinações de tempo e temperatura que garantam a segurança. A manutenção a quente fica a pelo menos 60 °C por até 6 horas em SP (CVS 3, art. 60), ou acima de 60 °C pela RDC 216 (item 4.8.15). O resfriamento vai de 60 °C a 10 °C em até 2 horas (CVS 3, art. 67, §1º; RDC 216, item 4.8.16). A ficha diz em qual passo cada controle acontece.
  • Ovos em preparações sem cocção: em SP, maionese, mousse e cremes que não vão ao fogo usam ovos pasteurizados, desidratados ou cozidos (CVS 3, art. 62, II). A ficha registra o tipo de ovo.
  • Rótulo do que o estabelecimento embala: em SP, o que é preparado e embalado sem o cliente leva lista de ingredientes e advertências de alergênicos, lactose e glúten "baseadas nos ingredientes utilizados na preparação" (CVS 3, art. 81, II e IX). A lista sai da ficha.
  • Avisos no cardápio: a partir de 01/02/2027, os serviços de alimentação de SP informam nos cardápios a presença dos alergênicos do Anexo II, de glúten, de lactose e de álcool em cada preparação (CVS 3, arts. 182 e 183). No self-service, o aviso vai na etiqueta ou placa do alimento (art. 186). Sem ficha, não há como responder por prato.
  • Tabela nutricional: para alimentos embalados na ausência do consumidor, os valores podem vir de cálculo a partir dos ingredientes, com dados dos fornecedores ou de tabelas de composição (RDC 429, art. 32, II e III). O cálculo parte das quantidades da ficha.

Três usos, três níveis de detalhe

Antes de abrir a planilha, defina para que a ficha vai servir. Os documentos conversam entre si, mas não são a mesma entrega, e isso muda o tempo de trabalho e o preço.

  • Operacional: orienta a cozinha. Ingredientes, quantidades, modo de preparo, temperaturas, porção e montagem. Fica na produção, sem preços.
  • Gerencial: acrescenta preços, custo por porção e, se o cliente quiser, preço de venda e margem. Fica com quem administra.
  • Nutricional: acrescenta a composição de cada ingrediente e o cálculo dos nutrientes. Exige bases de dados e critérios próprios; veja o guia da tabela nutricional.

Os campos de uma ficha completa

O nível de detalhe muda conforme o negócio. Os grupos abaixo cobrem o que costuma faltar na produção e na revisão.

  • Identificação: nome da preparação, código, categoria, versão, data e quem acompanhou e validou.
  • Ingredientes: nome, marca ou fornecedor quando fizer diferença, unidade, peso bruto, peso líquido, fator de correção e preço por unidade de compra.
  • Modo de preparo: sequência numerada, equipamentos, tempos, temperaturas e o ponto de cada controle de segurança.
  • Rendimento e porção: peso pronto medido, índice de cocção, número de porções, peso da porção e utensílio de porcionamento.
  • Alergênicos e avisos: alergênicos de cada ingrediente, inclusive dos compostos, "pode conter" dos rótulos, glúten, lactose e álcool.
  • Custo: custo por ingrediente, total da receita, custo por porção e data dos preços.
  • Conservação e montagem: como guardar, por quanto tempo, como montar e servir.
  • Foto do prato montado: ajuda mais que qualquer descrição.

Como fazer a ficha técnica em 8 passos

Comece por uma preparação que a equipe já produz. Combine o dia em que a cozinha consegue executá-la e quem precisa estar presente. Peça receitas, notas e listas de preços como ponto de partida, mas valide tudo na produção real.

  • 1. Identifique a preparação: nome, código, data, versão e quem acompanha.
  • 2. Liste todos os ingredientes: inclusive óleo, sal, temperos, coberturas e bases feitas na casa.
  • 3. Pese antes e depois da limpeza: registre o peso bruto e o peso líquido. Desconte o recipiente (tara).
  • 4. Descreva o preparo enquanto acontece: sequência, equipamentos, tempos e temperaturas. Meça a temperatura no centro do alimento nos pontos de controle.
  • 5. Pese o produto pronto: esse é o rendimento. Calcule o índice de cocção.
  • 6. Porcione de verdade: sirva com o utensílio definido e conte quantas porções a receita deu.
  • 7. Calcule o custo: pelo peso bruto e pelo preço de compra, com a data dos preços.
  • 8. Teste e aprove: repita a receita pela ficha, com outro cozinheiro se possível. Ajuste e registre a versão aprovada.

Peso bruto, peso líquido, fator de correção e índice de cocção

Essas quatro medidas separam a ficha técnica da receita de caderno. As fórmulas são simples; o trabalho está em pesar.

Fator de correção: FC = peso bruto ÷ peso líquido. Se 2,0 kg de frango viram 1,8 kg depois de limpos, FC = 2,0 ÷ 1,8 = 1,11. Para ter 1,8 kg limpo de novo, compre 1,8 × 1,11 = 2,0 kg. Veja a calculadora de fator de correção.

Índice de cocção: IC = peso pronto ÷ peso cru líquido. Se 2,88 kg de ingredientes limpos viram 2,4 kg prontos, IC = 2,4 ÷ 2,88 = 0,83: a preparação perdeu 17% do peso ao cozinhar.

Os dois variam com fornecedor, corte, equipamento e ponto de cocção. Use o valor medido na sua cozinha; tabelas de literatura servem só como ponto de partida. Se o valor medido sair muito diferente do esperado, repita a medição antes de fechar a ficha.

Exemplo completo: estrogonofe de frango

Exemplo ilustrativo, com preços fictícios. Um restaurante em São Paulo quer a ficha do estrogonofe que serve no almoço. A consultora acompanha uma produção e anota:

  • Filé de peito de frango: bruto 2,0 kg, líquido 1,8 kg (FC 1,11), R$ 22,00/kg. Custo: 2,0 × 22,00 = R$ 44,00.
  • Cebola: bruto 0,30 kg, líquido 0,27 kg (FC 1,11), R$ 6,00/kg. Custo: R$ 1,80.
  • Creme de leite: 0,60 kg (três caixas de 200 g a R$ 4,50). Custo: R$ 13,50.
  • Extrato de tomate: 0,14 kg, R$ 16,00/kg. Custo: R$ 2,24.
  • Óleo: 0,05 L, R$ 8,00/L. Custo: R$ 0,40.
  • Sal e temperos: custo estimado de R$ 0,50.
  • Total da receita: R$ 62,44.
  • Rendimento: 2,4 kg prontos. Peso cru líquido: cerca de 2,88 kg. IC = 0,83.
  • Porção: 200 g, com a concha de 200 g. 2,4 kg ÷ 0,2 kg = 12 porções.
  • Custo por porção: R$ 62,44 ÷ 12 = R$ 5,20. É o custo dos ingredientes, sem acompanhamentos, embalagem, despesas ou margem.
  • Controles: cocção do frango até 75 °C no centro (CVS 3, art. 59); no balcão, 60 °C ou mais por até 6 horas (art. 60). Sobras resfriadas de 60 °C a 10 °C em até 2 horas (art. 67, §1º).
  • Avisos: o creme de leite traz leite e lactose. Se a cozinha engrossar com farinha de trigo, entram trigo e glúten. Confira o rótulo do extrato de tomate e do creme de leite usados, inclusive o "pode conter". A partir de 01/02/2027, esses avisos vão para o cardápio (CVS 3, arts. 182 e 183).

Bases usadas em várias receitas

Molhos, massas e recheios ganham ficha própria. Primeiro apure o custo e o rendimento da base; depois leve para o prato só a quantidade usada. Isso evita somar a receita inteira de um molho em cada prato.

Exemplo fictício: uma base custa R$ 30 e rende 1,5 kg. O custo é R$ 20/kg. Se um prato usa 0,2 kg dessa base, a parcela é R$ 4. Não some também os ingredientes da base na ficha do prato, porque o custo ficaria duplicado.

Os alergênicos da base sobem para o prato junto com ela. Um molho com manteiga leva leite para todos os pratos em que entra.

Se a ficha da base mudar, identifique quais pratos precisam de atualização. Ter várias fichas não significa cobrar várias vezes o mesmo levantamento do cliente.

Alergênicos, glúten, lactose e álcool na ficha

Em SP, a partir de 01/02/2027, cada preparação do cardápio precisa informar a presença dos alergênicos do Anexo II da CVS 3, de glúten, de lactose e de álcool (arts. 182 e 183). Os avisos podem ser textos, ícones, imagens ou legendas, e o cartaz pode complementar o cardápio (art. 184). Quem não tem acesso ao QR Code precisa de outra forma de ver os avisos (art. 185).

A ficha é o lugar natural dessa informação, porque já lista cada ingrediente. Roteiro sugerido pela VittaCheck:

  • Leia o rótulo de cada ingrediente industrializado: "ALÉRGICOS: CONTÉM...", "PODE CONTER...", "CONTÉM LACTOSE" e a declaração de glúten.
  • Abra os ingredientes compostos: maionese, molhos prontos, embutidos e chocolate costumam trazer leite, ovo, soja ou trigo.
  • Registre também o álcool: vinho no molho, licor na sobremesa.
  • Considere a cozinha: óleo de fritura compartilhado e utensílios usados em vários pratos levam alergênicos de um prato a outro. Veja o guia de contaminação cruzada.
  • Atualize quando trocar a marca: a marca nova pode trazer um alergênico que a anterior não tinha.

Da ficha para a tabela nutricional

Quando o produto vai ser embalado na ausência do consumidor e precisa de tabela, a ficha é o ponto de partida. A RDC 429 aceita três caminhos (art. 32): análise de laboratório, cálculo com dados dos fornecedores ou cálculo com tabelas de composição de alimentos.

No cálculo, as quantidades da ficha e o rendimento medido fazem toda a diferença: a perda de água na cocção concentra os nutrientes, e o valor por 100 g do produto pronto depende do peso final. Em alimentos com partes não comestíveis, o cálculo vale só para a parte comestível (art. 32, §2º).

Veja o passo a passo no guia da tabela nutricional e, para açúcares, no de açúcares adicionados.

Como montar a ficha técnica no Excel

Crie uma linha por ingrediente e colunas para nome, unidade, quantidade bruta usada, quantidade líquida após limpeza, preço por unidade de compra e custo usado. Não misture preço por pacote com quantidade em gramas sem converter.

Exemplo: um pacote de 5 kg custa R$ 40. O preço por kg é 40 ÷ 5 = R$ 8. Usar 0,3 kg brutos custa 0,3 × 8 = R$ 2,40. Se a quantidade estiver na coluna C e o preço na E, ambos na mesma base, o custo da linha 2 pode ser calculado com =C2*E2.

Some os custos das linhas e divida pelo número de porções medido. Deixe o resultado pendente quando faltar preço ou rendimento; uma célula vazia não significa custo zero. Inclua campos separados para modo de preparo, rendimento final, porção, data dos preços e aprovação.

Guarde o arquivo editável para revisão. Uma cópia em PDF facilita a consulta da equipe, mas não atualiza os cálculos quando o preço muda. Você também pode usar a planilha deste guia, com um modelo em branco e um exemplo fictício.

Como usar a planilha gratuita de ficha técnica

Abra o bloco de download deste guia e preencha o formulário da lista de espera. Se o seu cadastro já existir, a confirmação libera o arquivo normalmente. O conteúdo do guia continua disponível para consulta.

O Excel tem duas abas: Modelo, para preencher, e Exemplo, para entender a conta. Use uma cópia do Modelo para cada preparação. Os campos amarelos recebem dados; as demais células fazem os cálculos. O modelo comporta 15 ingredientes. Alterar esse limite exige conferir também os intervalos das fórmulas.

Informe a unidade, a quantidade bruta usada, a quantidade da embalagem comprada e o preço dessa embalagem. Por exemplo, para um pacote de 5 kg, use kg como unidade e 5 como quantidade da embalagem. A planilha divide o preço pela quantidade comprada antes de calcular o custo usado.

Preencha o número de porções medido. O rendimento e o tamanho da porção têm campos próprios para registro; não são calculados automaticamente. A quantidade limpa é opcional e não reduz o custo da quantidade bruta utilizada.

Se aparecer Revisar itens, confira os ingredientes incompletos. Um preço ainda desconhecido deve ficar em branco; zero significa que você informou custo zero. O resultado cobre ingredientes, sem despesas, tributos, margem ou informação nutricional.

Validação, versão e atualização

Revise a ficha com quem prepara e com quem controla a operação. A ficha só está pronta quando outra pessoa consegue reproduzir o prato com ela.

Sugestão VittaCheck de quando abrir nova versão:

  • Mudou o preço de um ingrediente relevante: atualize o custo e a data dos preços.
  • Mudou a marca ou o fornecedor: confira alergênicos, fator de correção e rendimento.
  • Mudou a receita, a porção ou o equipamento: meça de novo o rendimento e o índice de cocção.
  • O produto é embalado e tem rótulo: uma mudança de composição pode exigir o aviso de nova fórmula.
  • O custo real do mês não bate com as fichas: compare com o CMV e procure a ficha desatualizada.

Erros comuns

Os problemas que mais aparecem quando se revisa uma ficha pronta.

  • Receita teórica: a ficha copia o caderno e ninguém pesou nada na produção.
  • Rendimento somado: o peso pronto foi tirado da soma dos ingredientes, e não da balança.
  • Custo pelo peso limpo: 1,8 kg limpo × R$ 22 = R$ 39,60 esconde R$ 4,40 de perda. O certo é o peso bruto comprado: 2,0 kg × R$ 22 = R$ 44,00.
  • Base contada duas vezes: o custo do molho entra inteiro e os ingredientes dele entram de novo.
  • Porção sem utensílio: "uma concha" sem dizer qual concha.
  • Ficha sem data de preço: ninguém sabe se o custo é de ontem ou do ano passado.
  • Alergênico esquecido: o ingrediente composto trouxe leite ou trigo e ninguém leu o rótulo.
  • Ficha nutricional sem critério: valores copiados de fontes diferentes, sem registrar qual tabela de composição foi usada.

Quanto cobrar pela ficha técnica

A tabela da FNN de 2026 traz R$ 428,56 por ficha (4 USN). A do SindiNutri-SP separa a ficha sem preparação, R$ 250,00 (2 USN), da ficha com preparação e teste, R$ 375,00 (3 USN). A tabela nacional vale para os estados sem sindicato estruturado ou sem tabela própria; confira a do seu estado. São valores mínimos de referência.

Defina quantas preparações e bases serão estudadas, quantas produções serão acompanhadas e o que entra: custo, alergênicos, informação nutricional, revisões. Conte as bases compartilhadas uma vez e não cobre de novo uma etapa já incluída no pacote.

Use o guia de precificação para estimar horas e despesas e a calculadora de honorários para montar a proposta.

Fontes públicas consultadas

Os links abaixo sustentam os pontos técnicos deste guia. Consulte a versão vigente e as regras locais antes de aplicar qualquer requisito ao cliente.

Este conteúdo oferece orientação geral. Antes de definir um requisito ou assinar um entregável, confirme a norma vigente, o enquadramento do produto e as regras da autoridade local e do conselho profissional.

Relacione receita, rendimento e custo

Guarde as medições, a versão da ficha e a data dos preços usados. Esses dados permitem explicar uma diferença de custo e decidir o que precisa ser corrigido.

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