Ir para o conteúdo principal
NormasAtualizado em 05 de outubro de 202642 min de leitura
Capa do guia Portaria CVS 3/2026 em PDF (SP)

Norma estadual

Portaria CVS 3/2026 em PDF (SP)

O texto republicado em PDF e a portaria explicada capítulo por capítulo: a vigência adiada para 01/02/2027, a quem se aplica, temperaturas, equipe, POPs, delivery, sushi, granel e avisos de alergênicos.

Em resumo

A Portaria CVS 3/2026 é o regulamento de Boas Práticas para estabelecimentos comerciais de alimentos e serviços de alimentação do Estado de São Paulo. Foi publicada no DOE-SP em 6 de julho de 2026, republicada com alterações em 28 de setembro, e vale a partir de 1º de fevereiro de 2027, quando revoga a CVS 5/2013 (arts. 3º e 4º): a Portaria CVS 9/2026 adiou a data, que era 4 de outubro de 2026. Até lá, vale a CVS 5. Os avisos de alergênicos, glúten, lactose e álcool nos cardápios (arts. 182 a 186) passam a valer na mesma data. Este guia explica a portaria capítulo por capítulo, com os números de cada artigo; o PDF do texto republicado está logo abaixo.

Baixar a Portaria CVS 3/2026 em PDF (texto republicado)

Texto republicado no DOE-SP de 28/09/2026, com as alterações de conteúdo e os Anexos I e II · 36 páginas · PDF, 2,4 MB. Cópia do ato oficial, sem alteração de conteúdo. Código de autenticidade: 2026.09.25.1.1.37.12.13.214.2158476.

Baixar PDF

Documento público, sem cadastro. Quer receber as novidades das normas e do lançamento do VittaCheck? Entre na lista, é gratuita.

Fonte pública para consulta: Conferir a autenticidade no DOE-SP.

Checklist gratuito de adequação CVS 3/2026

Roteiro de apoio sobre higiene, manipulação, temperatura, equipe e outros cuidados. Preencha o formulário para entrar na lista de espera e baixar. Se seu e-mail já estiver cadastrado, ele será aceito normalmente. O material não substitui a Portaria completa.

Um cadastro libera todos os downloads deste site neste navegador.

A portaria em 7 minutos: a vigência em 01/02/2027, os números que mudam em relação à CVS 5, para quem vale e o que fazer até fevereiro. Vídeo no YouTube, com legendas; o player só carrega quando você clica para reproduzir.

Palavras deste guia

Siglas e termos que aparecem neste guia, em linguagem simples.

CVS
Centro de Vigilância Sanitária, órgão da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo que publica as portarias estaduais de vigilância sanitária.
DOE-SP
Diário Oficial do Estado de São Paulo, onde a portaria foi publicada e republicada.
Estabelecimento comercial de alimentos
Varejo, atacado e depósito cuja atividade principal é armazenar e expor alimentos, como mercados, açougues e hortifrútis (art. 7º, XXII).
Serviço de alimentação
Local, comercial ou institucional, onde o alimento é manipulado, preparado, armazenado, distribuído ou exposto à venda, como restaurantes e cozinhas de escolas (art. 7º, XLVII).
Manipulador de alimentos
Quem trabalha no estabelecimento e lida com ingredientes, equipamentos, embalagens ou alimentos, embalados ou não, inclusive quem fraciona, distribui ou transporta (art. 7º, XXX).
Registro
Anotação em meio físico ou eletrônico, com data e identificação de quem preencheu (art. 7º, XXXIX).
POP
Procedimento Operacional Padronizado: instruções escritas, em sequência, para uma rotina. A CVS 3 exige nove POPs no mínimo (art. 170).
Barreira técnica
Separação feita por comportamento ou por horários diferentes quando não há parede ou divisória entre atividades (art. 7º, X).
DTHA
Doenças de transmissão hídrica e alimentar, causadas por água ou alimento contaminado (art. 7º, XIX).
Surto
Duas ou mais pessoas com sintomas parecidos depois de consumir alimento ou água da mesma origem. Em doenças graves, como botulismo, um caso já conta (art. 7º, XLVIII).
Rastreabilidade
Conseguir identificar a origem de um produto e acompanhar seu caminho na cadeia, por meio de registros (art. 7º, XXXVIII).
Responsável técnico (RT)
Profissional legalmente habilitado que responde pela qualidade e segurança do estabelecimento perante a vigilância. A exigência depende da legislação de licenciamento (arts. 7º, XLI, e 19).
Alergia alimentar
Reação do sistema imunológico a um alimento, em pessoas sensíveis (art. 7º, II). Os principais alimentos alergênicos estão no Anexo II.
Arroz temperado para sushi
Arroz misturado com sal, açúcar e vinagre em proporção que deixe o pH igual ou menor que 4,5 (art. 7º, VI).

Resumo: datas, alcance e por onde começar

  • Vale a partir de 01/02/2027 para comércio de alimentos (varejo, atacado, depósito) e serviços de alimentação em todo o Estado de São Paulo (arts. 3º e 6º, na redação da Portaria CVS 9/2026). A CVS 5/2013 continua valendo até lá e fica revogada nessa data (art. 4º)
  • Os avisos de alergênicos, glúten, lactose e álcool nos cardápios (arts. 182 a 186) passam a valer com o resto da portaria: a data separada, 04/01/2027, estava no parágrafo único do art. 3º, que a CVS 9 não manteve
  • O texto foi republicado com alterações em 28/09/2026. Este guia segue a versão republicada; material feito com a versão de julho precisa ser conferido nos arts. 7º, 9º, 13, 75, 81 e no capítulo VIII
  • Os números que mais aparecem: 75 °C na cocção e no reaquecimento, mãos com 40 segundos de massagem, curso de 8 horas, temperatura dos equipamentos duas vezes ao dia, 9 POPs, registros por 180 dias
  • A portaria convive com a RDC 216 (federal) e com as normas do município. O descumprimento é infração sanitária pela Lei estadual 10.083/1998 (art. 2º)

O que ajuda na adequação

  • Registro em papel ou em sistema, previsto de forma expressa (art. 7º, XXXIX)
  • Tabelas de temperatura de recebimento (art. 30), de armazenamento (art. 44) e de distribuição (art. 60) no próprio texto
  • Conteúdo mínimo de cada um dos nove POPs (arts. 172 a 180)
  • Passos definidos para a suspeita de surto (arts. 100 a 102) e para a guarda de amostras (art. 99)
  • Regras próprias para delivery, sushi, granel e doação de alimentos
  • Documento de perguntas e respostas do CVS (setembro de 2026) que esclarece vários artigos

O que pede orçamento ou prazo

  • Coprocultura e parasitológico na admissão e todo ano (arts. 8º e 9º)
  • Curso de pelo menos 8 horas para todos os manipuladores (art. 22)
  • Lacre e aviso nas embalagens do delivery de consumo imediato (arts. 112 e 113)
  • Porções individuais de condimentos em sanduíches, salgados e pastéis (art. 75)
  • Rótulo com nove itens para o que é embalado sem o cliente (art. 81)
  • Laudo de pH do arroz de sushi e área exclusiva (arts. 56 e 64)
  • Avisos de alergênicos no cardápio a partir de 01/02/2027, que dependem de fichas técnicas atualizadas (arts. 182 a 186)

Os números da CVS 3/2026 em uma tabela

Os números da CVS 3/2026 em uma tabela
TópicoRegraArtigo e detalhe
Vigência01/02/2027, com os avisos ao consumidor na mesma dataArts. 3º e 4º, na redação da Portaria CVS 9/2026. A CVS 5/2013 vale até 31/01/2027
Cocção75 °C no centro do alimentoArt. 59. Outras combinações de tempo e temperatura são aceitas se forem seguras
Reaquecimento75 °C em todas as partesArt. 68
Alimentos quentes60 °C ou mais por até 6 horas; abaixo de 60 °C, até 1 horaArt. 60. O tempo soma espera, transporte, distribuição e exposição
Alimentos friosAté 10 °C por até 4 horas; entre 10 °C e 21 °C, até 2 horasArt. 60
Carnes e pescados crus prontosAté 5 °C por até 2 horasArt. 60 (sushi, carpaccio, tartar e similares)
ResfriamentoDe 60 °C para 10 °C em até 2 horas; depois abaixo de 5 °C ou a -18 °C ou menosArt. 67
Recebimento de congelados-12 °C ou menos, ou conforme o fabricanteArt. 30
Recebimento de refrigeradosPescados de 2 °C a 3 °C; carnes de 4 °C a 7 °C; demais de 4 °C a 10 °C; preparações com carne ou pescado cru de 0 °C a 5 °CArt. 30, sempre ressalvada a recomendação do fabricante
Recebimento de aquecidosAcima de 60 °CArt. 30
Congelados no estoque (sem indicação do fabricante)0 °C a -5 °C: 10 dias; -6 °C a -10 °C: 20 dias; -11 °C a -18 °C: 30 dias; abaixo de -18 °C: 90 diasArt. 44, I
Preparados refrigerados (sem indicação do fabricante)Em geral até 4 °C por 3 dias; maionese e carnes temperadas cruas, 2 dias; pescado cozido, 2 °C por 1 diaArt. 44, II
Perecíveis de origem animal em manipulaçãoAté 2 horas por lote em área a até 16 °C, ou até 30 minutos em temperatura ambienteArt. 55. Carne moída embalada segue regra própria
Arroz de sushipH 4,5 ou menos, até 8 horas em temperatura ambiente, com laudoArts. 63 e 64
Óleo de frituraAté 180 °C; reuso só filtrado e sem alteraçãoArt. 61
Lavagem das mãosPelo menos 40 segundos de massagem, ou o tempo do fabricanteArt. 18, §1º
Registro de temperaturaEquipamentos 2 vezes ao dia; alimentos expostos no início e a cada 2 horas; transporte no início e no fimArts. 48, 73 e 110
Estoque10 cm da parede e 60 cm do forroArt. 33, X
Amostras100 g, coletadas no último terço da distribuição, guardadas por 96 horas entre -18 °C e 4 °CArt. 99, para os serviços coletivos listados
Reservatório de águaHigienização a cada 6 meses, no máximo, ou após acidenteArt. 122
EquipeExames anuais; curso de 8 horasArts. 8º, 9º e 22
Documentos9 POPs; guarda de 180 diasArts. 170 e 181

O que é a CVS 3/2026 e quando passa a valer?

É a Portaria CVS nº 3, de 3 de julho de 2026, do Centro de Vigilância Sanitária da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. Ela aprova o Regulamento Técnico de Boas Práticas para Estabelecimentos Comerciais de Alimentos e para Serviços de Alimentação (art. 1º), com base no Código Sanitário do Estado, a Lei 10.083/1998.

A portaria saiu no DOE-SP de 6 de julho e foi republicada com alterações em 28 de setembro de 2026. Pela redação original, valeria a partir de 4 de outubro de 2026. A Portaria CVS 9/2026, de 5 de outubro, adiou a data: a CVS 3 entra em vigor em 1º de fevereiro de 2027 (art. 3º), quando a CVS 5/2013 deixa de valer (art. 4º). O parágrafo único que dava 4 de janeiro de 2027 ao capítulo VIII, dos avisos nos cardápios, não está na nova redação; na leitura do texto, o capítulo passa a valer na mesma data. Não há outro prazo de adaptação no texto.

O PDF da CVS 9 tem duas páginas, e a notícia sobre o adiamento mostra o que vale até 31 de janeiro: a CVS 5 continua proibindo, por exemplo, máscara e preparações com ovo cru.

Descumprir a portaria é infração sanitária, com as penalidades da Lei 10.083/1998 (art. 2º). O art. 112 dessa lei lista, entre outras, advertência, multa, apreensão e inutilização de produtos, interdição parcial ou total do estabelecimento e cancelamento da licença.

A quem a portaria se aplica?

A CVS 3 tem dois públicos (art. 6º). O primeiro são os estabelecimentos comerciais de alimentos, inclusive bebidas, águas envasadas, aditivos e embalagens para alimentos, que importam, exportam, distribuem, armazenam, transportam ou vendem: supermercados, mercearias, açougues, peixarias, hortifrútis, atacados e depósitos. O segundo são os serviços de alimentação que recebem, manipulam, preparam, fracionam, armazenam, distribuem, transportam, vendem ou entregam alimentos preparados: restaurantes, lanchonetes, padarias, bufês, cozinhas industriais e cozinhas de escolas, creches, hospitais e presídios.

Nem todo artigo vale para todo estabelecimento. A portaria tem regras gerais e blocos por atividade, como sushi (arts. 56, 63 e 64), granel vegetal (arts. 88 a 98), amostras de alimentação coletiva (art. 99), transporte (arts. 103 a 111) e delivery (arts. 112 e 113). Antes do checklist, liste o que o local faz e marque os artigos de cada atividade.

A portaria estadual não substitui a RDC 216/2004 da Anvisa nem as normas do município. Um restaurante em São Paulo segue as três. O guia da RDC 216 tem uma tabela com os pontos em que as duas normas diferem.

O que mudou na republicação de 28/09/2026

O DOE-SP de 28 de setembro trouxe o texto inteiro de novo, com alterações nos arts. 3º, 4º, 7º, 9º, 13, 75, 81, 114 e 171, no capítulo VIII e com o Anexo II. As principais: vigência em data fixa (04/10/2026, depois adiada para 01/02/2027 pela CVS 9/2026), capítulo VIII com data própria (04/01/2027, que a CVS 9 não manteve), exames sem a menção a quem lida só com alimento embalado, cabelo sem citar rede ou touca, condimentos em porções individuais incluindo pastéis, rótulo também para preparados de consumo imediato embalados sem o cliente e a definição de alergia alimentar no art. 7º, que renumerou os incisos seguintes.

O detalhe de cada alteração, com a explicação do documento de perguntas e respostas do CVS, está no comparativo CVS 3 e CVS 5.

Capítulo II: saúde e higiene da equipe (arts. 8º a 18)

É o capítulo que mais mexe com o RH do cliente, porque envolve exames, uniformes, EPI e treinamento.

  • Exames. Além do PCMSO, coprocultura e parasitológico na admissão e no acompanhamento periódico (art. 8º), todo ano para quem manipula alimentos diretamente ou participa da distribuição e oferta de refeições (art. 9º). Os atestados ficam disponíveis para consulta (art. 10). Pelas perguntas e respostas do CVS, entra quem manipula mesmo que de vez em quando: porcionar, servir, montar pratos, preparar bebidas, manipular gelo, abrir embalagens primárias, cortar frutas ou pães.
  • Afastamento. Ninguém manipula alimentos com sinais de infecção nos olhos, pulmões ou garganta, infecção intestinal, lesões na pele, mucosas e unhas, ou cortes e feridas nas mãos e braços. A pessoa é encaminhada ao médico e afastada da manipulação enquanto durar a condição (art. 11).
  • Aparência. Barba e bigode totalmente raspados, unhas curtas, limpas e sem esmalte ou base, sem maquiagem, sem cílios ou unhas postiças e sem adornos como colar, brinco, piercing, relógio, anel e aliança. Caneta e papel vão nos bolsos de baixo do uniforme (art. 12). Ficam fora dessas regras só os funcionários que transportam, recebem e repõem alimentos embalados (art. 12, parágrafo único).
  • Uniforme, calçado e cabelo. Uniforme limpo, trocado todo dia e usado só dentro da empresa; calçado fechado e antiderrapante; cabelo preso e totalmente protegido (art. 13). O CVS esclarece que turbante vale se cobrir todo o cabelo e que boné não substitui a touca.
  • EPI. Em câmara fria, blusa, capa térmica com capuz, luvas e botas impermeáveis (art. 14, §1º). Na limpeza, avental, luvas e botas impermeáveis, sem panos ou sacos plásticos protegendo o uniforme (§2º). Luva de borracha de cano longo para manusear saneantes (§4º). Avental e luva que derretem não ficam perto de fogo, e bota não é usada onde há água fervente (§3º).
  • Luvas e máscaras. Antissepsia das mãos antes de usar utensílios higienizados ou de calçar luvas descartáveis. Hortifrúti já higienizado e alimentos prontos são manipulados com mãos higienizadas e, de preferência, com utensílios ou luvas (art. 15). Luva descartável não é usada perto de calor nem em máquinas de moer, triturar ou misturar (§1º). Luva de malha de aço no corte de carnes (§2º). Máscara é opcional; se usada, descartável e com critérios escritos de uso e troca (§3º).
  • O que é proibido durante a manipulação. Falar, cantar, tossir ou espirrar sobre os produtos, mascar chiclete ou palito, comer, experimentar alimentos com as mãos, mexer no cabelo, enxugar o suor com a mão ou com pano, fumar, tocar maçanetas e celulares, manipular dinheiro e fazer limpeza das instalações (art. 16).
  • Quando lavar as mãos. Ao chegar, depois do sanitário, depois de tossir, espirrar ou tocar o corpo, depois de usar material de limpeza, fumar, recolher lixo, pegar dinheiro, cartão ou celular, tocar caixas, sacarias e sapatos, tocar alimentos crus e sempre que o serviço for interrompido (art. 17).
  • Como lavar. Molhar mãos e antebraços, aplicar sabonete líquido neutro e inodoro, massagear mãos, antebraços, entre os dedos e unhas por pelo menos 40 segundos ou pelo tempo do fabricante, enxaguar e secar com papel-toalha não reciclado. Se o sabonete não for antisséptico, aplicar antisséptico depois de secar. Cartaz ilustrado em toda pia de mãos, inclusive nos sanitários e vestiários (art. 18). Os 40 segundos são da etapa de massagem, não da lavagem inteira.
  • Veja o guia de higiene de manipuladores para o passo a passo e o POP.

Responsável técnico, capacitação e visitantes (arts. 19 a 24)

A exigência de responsável técnico depende da legislação de licenciamento sanitário (art. 19). Onde não se exige RT, as Boas Práticas podem ficar com o proprietário ou com um funcionário capacitado que trabalhe no local e acompanhe toda a manipulação (art. 20).

O RT ou o funcionário capacitado precisa ter autoridade para atualizar e implementar o Manual e os POPs, acompanhar as inspeções da vigilância e notificar a vigilância epidemiológica quando houver suspeita de surto (art. 23).

  • Curso de 8 horas. Todo manipulador comprova um curso de Boas Práticas de pelo menos 8 horas, com conteúdo mínimo sobre DTHA, higiene e saúde dos funcionários, qualidade da água e controle de pragas, qualidade sanitária na manipulação e POPs de higienização (art. 22). Pelo CVS, o curso precisa estar concluído antes de a pessoa começar a trabalhar e pode ser a distância, se o certificado comprovar carga horária e conteúdo.
  • Educação permanente. Programa próprio ou terceirizado, com registro nominal da participação (art. 21).
  • Registro do treinamento. Conteúdo, carga horária, data, identificação e assinatura de cada participante e do responsável pela capacitação (art. 173).
  • Visitantes. Quem não é da equipe da área de alimentos é visitante, recebe orientação e segue as regras de higiene e saúde. Fiscais, consultores e técnicos de manutenção entram identificados, com proteção para cabelo e barba e EPI quando a atividade pedir (art. 24).
  • O guia de treinamento mostra como montar o curso e o registro.

Capítulo III: recebimento de mercadorias (arts. 25 a 32)

O recebimento ganhou tabela de temperatura e regras sobre onde a mercadoria pode ficar enquanto é conferida.

  • Fornecedores. Critérios definidos de avaliação e seleção, com pelo menos a licença sanitária ou o registro no órgão competente (art. 25).
  • Entrega. Entregador e veículo em condições de higiene; área de recebimento protegida de chuva, sol e poeira, sem material inservível (art. 26). Embalagens limpas e íntegras (art. 27).
  • Conferência. Avaliação de quantidade, qualidade e características sensoriais (cor, aparência, odor e textura), além da validade (art. 28). Congelado com sinal de descongelamento, como amolecimento, embalagem molhada, camada de gelo ou cristais, não é aceito (art. 29).
  • Temperaturas. Registrar a temperatura dos produtos que precisam de conservação especial, com os parâmetros impressos na planilha: congelados a -12 °C ou menos; pescados de 2 °C a 3 °C; preparações com pescado ou carne crua de 0 °C a 5 °C; carnes de 4 °C a 7 °C; demais refrigerados de 4 °C a 10 °C; aquecidos acima de 60 °C. Em todos os casos, vale a recomendação do fabricante quando houver (art. 30).
  • Reprovados. Devolvidos na hora ou separados em local identificado (art. 31).
  • Depois da conferência. Nada direto no piso, e o produto vai logo para o armazenamento. É proibido deixar mercadoria em pátio ou plataforma de recebimento (art. 32).
  • Veja o checklist de recebimento com modelo para baixar.

Armazenamento (arts. 33 a 48)

O estoque é onde a visita encontra mais detalhes fora do lugar: etiquetas incompletas, caixas de papelão na câmara, geladeira desorganizada.

  • Condições do local. Isolado do ambiente externo, limpo, ventilado, sem luz solar direta, com temperatura monitorada e registrada; alimentos separados de produtos de limpeza; PVPS (primeiro que vence, primeiro que sai) ou PEPS para o que não tem validade; nada no piso; prateleiras e estrados a 10 cm das paredes e 60 cm do forro (art. 33).
  • Madeira e papelão. Caixa de madeira não entra no estoque, com duas exceções: embalagem de uso único de peixe salgado e seco e caixas de hortifrúti no comércio (art. 34). Nos serviços de alimentação, caixas de papelão em temperatura ambiente são retiradas ou revestidas com saco plástico transparente; na refrigeração, ficam em equipamento exclusivo, em prateleira separada ou revestidas (art. 35).
  • Produto transferido de embalagem. Recipiente higienizado a cada reposição e etiqueta com fornecedor ou fabricante, nome e marca, modo de conservação, validade depois de aberto e data da transferência. É proibido reaproveitar embalagens e guardar alimento em sacola de compras ou saco de lixo (art. 37).
  • Produto aberto na embalagem original. Data de abertura e nova validade, conforme o fabricante (art. 38). Pré-preparados e preparados com nome, data de preparo e validade (art. 39).
  • Geladeira. Volumes que esfriem até o centro. Prontos em cima, pré-preparados no meio, crus embaixo, separados entre si, e o equipamento regulado para a menor temperatura que os alimentos pedem (art. 40). Depois de higienizada, a geladeira só recebe alimentos quando a temperatura estabilizar (art. 41). Crus e produtos que pingam ficam protegidos e nada fica embaixo do evaporador da câmara (art. 42).
  • Equipamentos. Sem acúmulo de gelo e com capacidade para o volume. É proibido desligar a geladeira para economizar energia e usar termômetro de haste de vidro (art. 43).
  • Validade quando o fabricante não indica. Tabela do art. 44: congelados de 10 a 90 dias conforme a faixa de temperatura; refrigerados em geral até 4 °C por 3 dias, com 2 dias para maionese, carne moída e carnes temperadas cruas e 1 dia a 2 °C para pescado cozido; hortifrúti higienizado, sucos e polpas até 5 °C por 3 dias. O que passar do limite é descartado (art. 45). Revalidar validade é proibido (art. 46).
  • Registro. Temperatura dos equipamentos de conservação pelo menos duas vezes ao dia, com os parâmetros escritos na planilha (art. 48).

Pré-preparo e preparo (arts. 49 a 68)

Os artigos de preparo concentram as temperaturas e as regras de atividades específicas, como sushi e preparações com ovos.

  • Área de preparo. Embalagens limpas; madeira e papelão não entram (art. 49). Crus, semipreparados e prontos não se tocam (art. 50). Preparar alimentos em área externa é proibido (art. 51). Produto vencido, sem validade, com embalagem violada ou estufada, ou mantido fora da temperatura, não é usado (art. 52).
  • Descongelamento. Conforme o fabricante, com etiqueta do produto, da data de início e da validade, na geladeira abaixo de 5 °C ou em micro-ondas ou forno de convecção com cocção imediata. Proibido descongelar em temperatura ambiente e recongelar (art. 53).
  • Dessalga. Conforme o fabricante, ou em água potável sob refrigeração até 5 °C, ou em água fervente, com identificação (art. 54).
  • Perecíveis de origem animal. Até 2 horas por lote em área climatizada a até 16 °C, ou até 30 minutos em temperatura ambiente (art. 55).
  • Hortifrúti. Retirar partes estragadas, lavar em água corrente, desinfetar por imersão com produto regularizado na Anvisa para alimentos, na diluição do fabricante, e enxaguar. Dispensa a desinfecção: vegetal que vai ao fogo e chega a 75 °C por dentro, fruta cuja casca o cliente tira e não come, e vegetal para suco cuja casca não entra no preparo (art. 57). Cartaz com as instruções no local (art. 58).
  • Cocção. Pelo menos 75 °C no centro do alimento, ou outra combinação segura de tempo e temperatura (art. 59).
  • Tempo depois do preparo. Tabela do art. 60, que soma espera, transporte, distribuição e exposição: quentes a 60 °C ou mais por até 6 horas, ou abaixo de 60 °C por até 1 hora; frios até 10 °C por até 4 horas, ou entre 10 °C e 21 °C por até 2 horas; preparações com pescado ou carne crua até 5 °C por até 2 horas. Fora disso, descarte.
  • Fritura. Óleo até 180 °C; reaproveitar só sem alteração de cor, sabor e odor, sem espuma e fumaça, e filtrado (art. 61).
  • Ovos. De fornecedor com inspeção oficial; pasteurizados, desidratados ou cozidos em preparações sem cocção, como maionese e mousse; conteúdo sem contato com a casca; ovo rachado não é vendido nem usado; embalagem de ovos não é reaproveitada; lavar ovos no estabelecimento é proibido (art. 62).
  • Sushi. Área exclusiva para preparo e montagem (art. 56). Arroz temperado com pH até 4,5 em todas as partes, em temperatura ambiente por até 8 horas, com data e hora do preparo e do fim da validade (art. 63). Receita padronizada e laudo de laboratório do pH, refeito quando a receita mudar, disponíveis para a fiscalização (art. 64). A esteira é de material fácil de higienizar (art. 145).
  • Crus e mal cozidos. Prato com ingrediente de origem animal cru ou mal cozido leva asterisco no cardápio e o aviso do art. 65 no rodapé. Sem cardápio, cartaz do Anexo I em local visível. Pelo CVS, o cardápio de aplicativo de delivery também precisa do asterisco e do aviso.
  • Resfriamento e reaquecimento. Resfriamento em equipamento de refrigeração, de 60 °C para 10 °C em até 2 horas, depois abaixo de 5 °C ou a -18 °C ou menos (arts. 66 e 67). Reaquecimento com todas as partes a pelo menos 75 °C (art. 68).
  • Detalhes de medição e planilhas estão no guia de controle de temperatura.

Exposição, venda e rotulagem (arts. 69 a 87)

Este bloco vale para o balcão do restaurante e para o balcão do supermercado, com regras de rótulo para o que o próprio estabelecimento embala.

  • Balcões. Barreira de proteção contra gotículas e cabelos do cliente (art. 69); dispositivo para fechar os expositores de prontos na área de venda (art. 70); utensílio exclusivo para cada preparação, com cabo longo (art. 71).
  • Temperatura na exposição. Tabela do art. 60 (art. 72), com registro no início e a cada 2 horas até o fim da distribuição, e os parâmetros escritos na planilha (art. 73). Recipientes compatíveis com o equipamento, para manter a temperatura em todas as partes (art. 76).
  • Condimentos. Em serviços de alimentação, molhos e temperos de sanduíches, salgados, pastéis e similares em porções individuais (art. 75). Pelo CVS, não precisa ser sachê industrializado, e refeições ficam fora da regra.
  • Descongelados. Proibido expor produto com sinal de descongelamento (art. 77). Carne descongelada só pode ser vendida se o fabricante permitir, em equipamento próprio, com aviso de que foi descongelada, de que não pode ser recongelada e com a data (art. 78).
  • Comércio. Crus, pré-preparados e preparados expostos protegidos e identificados com nome, data de preparo e validade; pescado cru sempre protegido; hortifrúti in natura fora da regra (art. 80).
  • Rótulo do que o estabelecimento embala sem o cliente. Denominação de venda, lista de ingredientes, advertências sobre aditivos, conteúdo líquido, razão social e endereço, lote ou data de fabricação, validade, instruções de conservação e uso, e advertências sobre alergênicos, lactose e glúten (art. 81). Desde a republicação, vale também para preparados de consumo imediato. Congelados e resfriados feitos no local trazem as temperaturas mínima e máxima e o prazo nessas condições (art. 83).
  • Rastreabilidade. No fracionamento de produtos de origem animal, registros que permitam chegar à peça original (art. 82).
  • Ornamentos e caixa. Ornamentos fora do fluxo de ar e de cima dos balcões (art. 84). Quem recebe pagamento não manipula alimentos (art. 85).
  • Doação. Preparados podem ser doados se o tempo e a temperatura do art. 60 foram respeitados (art. 86); industrializados, se estão na validade e foram conservados como manda o fabricante (art. 87).

Granel vegetal (arts. 88 a 98)

Vale para lojas que vendem grãos, farinhas, castanhas, chás e similares a granel. Hortifrúti in natura fica fora.

  • Identificação com denominação, data de fracionamento, validade e fabricante ou fornecedor; produto protegido na exposição (art. 88).
  • Fracionamento na frente do cliente com mãos higienizadas e utensílios próprios (art. 89); embalagens próprias para alimentos (art. 90).
  • Quem embala sem o cliente precisa de área isolada da loja, com lavatório exclusivo e superfícies laváveis (art. 91), e rótulo completo do art. 81 (art. 92). Na frente do cliente, o rótulo mínimo tem denominação, data de fracionamento, fabricante e validade (art. 93).
  • Reabastecimento sem misturar lotes ou fornecedores, com recipiente higienizado e POP com critérios de rastreabilidade (art. 95).
  • Proibido: misturar produtos para criar outro no ponto de venda (art. 96), vender suplemento alimentar a granel (art. 97) e vender produtos da Medicina Tradicional Chinesa ou com indicação terapêutica (art. 98). Chás a granel só com finalidade alimentícia (art. 94).

Amostras e suspeita de surto (arts. 99 a 102)

A guarda de amostras vale para os serviços de alimentação coletiva citados no art. 99: cozinhas industriais, restaurantes por quilo, self-services, bufês, cozinhas e restaurantes de escolas, creches, instituições de longa permanência, presídios e hospitais.

  • Como coletar. No último terço do tempo de distribuição, com os mesmos utensílios usados para servir. Saco estéril identificado com estabelecimento, preparação, data, horário e responsável; mãos higienizadas; abrir sem tocar por dentro nem soprar; pelo menos 100 g; tirar o ar e fechar (art. 99).
  • Quanto tempo guardar. 96 horas, entre -18 °C e 4 °C. Amostras líquidas só refrigeradas, até 4 °C (art. 99, VI).
  • Na suspeita de surto. O responsável técnico ou legal notifica imediatamente a autoridade sanitária. O estabelecimento suspende a distribuição dos alimentos suspeitos, separa os produtos envolvidos e preserva amostras e registros (art. 100).
  • Quem coleta para análise. A vigilância sanitária recolhe e leva as amostras ao laboratório oficial (art. 101). O estabelecimento mantém disponíveis os registros de manipulação, armazenamento, transporte e distribuição, com fornecedores e lotes, e colabora com a investigação (art. 102).

Transporte e entrega em domicílio (arts. 103 a 113)

O transporte vale para quem leva mercadoria entre unidades e para quem entrega ao cliente.

  • Veículo. Compartimento de carga liso, impermeável e lavável, com controle de temperatura conforme o alimento (art. 104); cabine separada da carga, compartimento fechado e limpo, sem pessoas, animais ou objetos estranhos (art. 105); carga sobre prateleiras ou estrados, nunca no piso (art. 106).
  • Higienização do veículo. Por produto químico regularizado ou por vapor, incluindo prateleiras e estrados (art. 107).
  • Temperatura. Insumos nas temperaturas do art. 30 (art. 109) e preparados no tempo e temperatura do art. 60, com registro de horário e temperatura no início e no fim do transporte (art. 110). Perecíveis em compartimento fechado com termômetro calibrado, já resfriado antes da carga (art. 111).
  • Delivery de consumo imediato. Selo ou lacre que não sai sem deixar marca, com aviso de que, se estiver violado, o produto não deve ser consumido (art. 112), e a frase “Produto para consumo imediato.” na embalagem (art. 113).

Capítulo IV: higienização (arts. 114 a 118)

A sequência de higienização é remoção da sujeira, lavagem com água e detergente, enxágue e desinfecção química seguida de enxágue final, ou desinfecção por vapor. Equipamentos e utensílios são lavados de preferência em área própria; sem ela, em horário diferente da manipulação (art. 114).

  • Desmontagem. Fatiador, moedor, liquidificador e equipamentos parecidos são desmontados pelo menos uma vez ao dia e a cada troca de alimento (art. 115).
  • Proibições (art. 116). Varrer a seco na área de manipulação; lavar ou secar panos na área de manipulação; secar utensílios, bancadas e equipamentos com pano não descartável; usar pano em contato com alimento; deixar esponja ou pano de molho; guardar produto de limpeza em embalagem de alimento; jogar água da limpeza na rua; diluir saneante fora da recomendação do fabricante; manter animais.
  • Produtos e EPI. Saneantes regularizados, rotulados e guardados fora da manipulação e do estoque (art. 117). Com produtos fortemente alcalinos, ácidos ou oxidantes, como desengordurante de forno e hipoclorito, luva de borracha de cano longo, óculos e bota (art. 118).

Capítulo V: água, esgoto, resíduos, gás e pragas (arts. 119 a 135)

Os temas de suporte operacional dependem de documentos de terceiros. Peça os papéis antes da visita.

  • Água. Potável, de preferência da rede pública, para consumo, preparo, gelo, vapor e limpeza (art. 119). Poço e outras soluções alternativas só aprovadas pelo órgão competente, com tratamento e laudos disponíveis (art. 120). Caminhão-pipa entrega laudo a cada abastecimento (art. 121).
  • Reservatório. Obrigatório, tampado e íntegro, higienizado a cada 6 meses no máximo ou depois de evento que possa contaminar a água (art. 122). Filtros trocados conforme o fabricante, com comprovação (art. 123).
  • Gelo e vapor. Feitos com água potável (arts. 124 e 125).
  • Esgoto. Ligado à rede pública ou com destino conforme a legislação (art. 126); pias da manipulação passam por caixa de gordura fora da cozinha e do estoque (art. 127).
  • Resíduos. Local exclusivo, com ponto de água, ralo, revestimento lavável e proteção contra pragas (art. 128). Na manipulação, lixeira com tampa de pedal (art. 129). O lixo não sai pela mesma porta por onde entram os insumos; sem essa separação, horários diferentes por escrito (art. 130). Óleo usado em recipiente rígido e fechado, identificado com a empresa coletora, o CNPJ e a frase “Resíduo de óleo”, nunca no esgoto (art. 131).
  • Gás. Botijões em área exclusiva, ventilada e protegida (art. 133).
  • Pragas. Local sem pragas e sem sinais delas (art. 134). Prevenção contínua com barreiras físicas; produto químico só quando a prevenção não basta, aplicado por empresa licenciada, com certificado guardado no estabelecimento (art. 135).

Capítulo VI: edificação e instalações (arts. 136 a 169)

A maioria das exigências de estrutura já existia, mas alguns itens são novos ou ficaram explícitos. Os principais para a visita:

  • Fluxo. Barreiras físicas ou técnicas entre etapas, sem cruzamentos (art. 137). Obras com o estabelecimento aberto só com isolamento total da área em reforma (art. 139).
  • Lavatórios. Exclusivos para as mãos, desobstruídos e abastecidos, inclusive nas áreas de venda e distribuição (art. 140). Na área de consumo, lavatório para os clientes (art. 141). Tanque exclusivo para material de limpeza, fora da manipulação (art. 142).
  • Equipamentos e utensílios. Superfícies lisas e laváveis, sem frestas (art. 143); termômetro de espeto higienizado antes de começar as medições, a cada uso e no fim (art. 146); manutenção e calibração registradas (art. 147); proibido usar utensílio para fim diferente do indicado, como lâmina de barbear ou escova de dentes (art. 150); lubrificante de grau alimentício (art. 151).
  • Câmara fria. Revestimento lavável, termômetro calibrado com visor externo, interruptor externo sinalizado, prateleiras laváveis, abertura da porta por dentro e sem ralo (art. 152).
  • Piso, paredes e teto. Piso liso, antiderrapante e lavável, com caimento para ralos sifonados (art. 153); proibido forrar o piso com papelão, tapete ou carpete (art. 154). Paredes de cor clara e laváveis, sem divisórias ocas ou de compensado, exceto nas áreas de consumo e venda (art. 155). Teto liso e de cor clara (art. 156).
  • Portas e janelas. Portas da manipulação e do estoque com fechamento automático e proteção embaixo (art. 158); passa-pratos fechados quando não usados (art. 159); janelas com tela milimétrica removível (art. 160).
  • Luz, elétrica e ar. Luminárias protegidas (art. 161); tomadas com espelho (art. 162); ar da área limpa para a suja, sem incidir sobre alimentos, e exaustão com tela (art. 164); proibidos climatizador com névoa e ventilador nas áreas de manipulação e armazenamento (art. 166).
  • Vestiários e sanitários. Sem comunicação direta com as áreas de alimentos, separados por gênero, com armários individuais com tranca e lixeira sem contato manual (arts. 167 a 169).

Capítulo VII: Manual de Boas Práticas e os nove POPs (arts. 170 a 181)

Manual e POPs precisam estar implementados, organizados, aprovados, atualizados, datados, assinados pelo responsável técnico ou legal e acessíveis aos funcionários e à fiscalização (art. 170). Todo POP traz objetivo, campo de aplicação, referências, procedimentos (instruções em sequência, frequência e responsáveis) e registros.

  • 1. Higiene e saúde dos funcionários (art. 172): exames, periodicidade, antissepsia das mãos e conduta diante de sintomas.
  • 2. Capacitação em Boas Práticas (art. 173): programa, conteúdo e frequência; registros com conteúdo, carga horária, data e assinaturas.
  • 3. Recebimento de mercadorias (art. 174): critérios de conferência; registros de embalagem, aspectos sensoriais, validade e temperatura.
  • 4. Higienização de instalações, equipamentos, móveis e utensílios (art. 175): procedimento, frequência, EPI, princípio ativo, concentração, tempo de contato e temperatura.
  • 5. Reservatório e potabilidade da água (art. 176): limpeza e desinfecção (dispensada no POP quando terceirizada e descrita no certificado), filtros e, com poço, pontos e frequência das análises.
  • 6. Manutenção e calibração (art. 177): frequência da manutenção preventiva e da calibração.
  • 7. Controle de pragas (art. 178): medidas preventivas e corretivas.
  • 8. Manejo de resíduos (art. 179): coleta, empresa responsável, periodicidade, local de armazenamento e limpeza dos coletores.
  • 9. Transporte de alimentos (art. 180): higienização dos veículos com registro e controle de tempo e temperatura.
  • Atacado (art. 171). Além dos nove, POP de rastreabilidade e programa de recolhimento de alimentos.
  • Guarda (art. 181). Documentos e registros por pelo menos 180 dias, disponíveis para a fiscalização.
  • Modelos e estrutura no guia de POPs e no guia do Manual de Boas Práticas.

O que o CVS esclareceu nas perguntas e respostas

Em setembro de 2026, o grupo técnico do CVS que revisou a CVS 5 publicou um documento de perguntas e respostas sobre a CVS 3 (versão 1.0). Ele não altera o texto da portaria, mas mostra como o CVS lê vários artigos. Abaixo, as respostas que mais pesam na visita técnica, na ordem dos artigos.

Use o documento como orientação de leitura. Em caso de dúvida no caso concreto, vale o texto da portaria e a avaliação da autoridade sanitária local.

  • Quem conta como manipulador (arts. 9º e 12). Quem porciona, serve, monta pratos, prepara bebidas, mexe com gelo, abre embalagens primárias, corta frutas ou pães, monta bufê ou repõe guarnições, mesmo que de vez em quando. O funcionário do salão só fica fora das regras de aparência do art. 12 se apenas transporta, recebe ou repõe alimentos totalmente embalados de fábrica.
  • Cabelo (art. 13). Turbante vale se proteger todo o cabelo; se o modelo não proteger, rede ou touca por cima ou por baixo. Boné não substitui a rede ou a touca.
  • Botas na higienização (arts. 14 e 118). A bota impermeável é o mínimo da portaria. Outro EPI só entra se a análise de riscos do PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos) autorizar.
  • Curso de 8 horas (art. 22). Vale para toda função que envolva manipulação, sem diferença por tempo de casa ou experiência, e precisa estar concluído antes de a pessoa começar. Pode ser a distância ou em outra modalidade, de instituição pública ou privada, desde que o certificado comprove a carga horária e o conteúdo mínimo. O RT ou o responsável legal pode distribuir a carga horária.
  • Fornecedores (art. 25). Cada estabelecimento define os próprios critérios e o procedimento, por escrito, para apresentar na inspeção. Exemplos de documentos: licença sanitária, registro de produtos, Manual de Boas Práticas, laudos, fichas técnicas e certificados de controle de pragas. Se a atividade do fornecedor é dispensada de licença, guarde o que comprova a dispensa ou a regularidade. Em São Paulo, quem precisa de licença e quem é dispensado está na Portaria CVS 1/2024, e o fornecedor licenciado pode ser conferido no CEVS (Cadastro Estadual de Vigilância Sanitária).
  • Caixas de papelão (art. 35). Perguntado se a regra alcança o estoque seco do varejo, o CVS respondeu que o art. 35 se refere aos serviços de alimentação. O motivo da regra: papelão é poroso, difícil de higienizar e traz sujeira e pragas da cadeia logística.
  • Panificação recheada (art. 44). Pães e produtos de panificação com recheio, cobertura ou preparação com laticínios, prontos para consumo, entram na linha de sobremesas e confeitaria com recheios da tabela. Salgados que precisam de controle de temperatura seguem o art. 60. O que fica exposto em temperatura ambiente precisa ter baixa atividade de água.
  • Área externa (art. 51). Servir fora um alimento já preparado em local adequado e mantido protegido não é preparo externo. Degustação, ação promocional ou evento não abrem exceção para preparar alimento em área externa sem estrutura.
  • Sushi (arts. 56, 63, 64 e 145). A área do sushi não pode ser a peixaria, nem em horários alternados. Na fiscalização, o CVS confere receita padronizada, laudo de pH e etiqueta com data e hora; o laudo não tem validade fixa e só precisa ser refeito quando a receita muda. Medir o pH a cada produção é controle opcional. Esteira de bambu pode continuar se for revestida, por exemplo com filme plástico íntegro trocado a cada uso ou ciclo de trabalho. Graminha de plástico decorativa só se der para higienizar de verdade.
  • Hortifrúti fracionado (art. 57). Legume cortado e embalado para o consumidor cozinhar pode dispensar a desinfecção química se o rótulo deixar inequívoco que o produto não é para consumo cru. A higienização mecânica e os cuidados de manipulação continuam obrigatórios, e o CVS recomenda orientar o consumidor sobre a cocção completa.
  • Ovos (art. 62). Ovo com casca suja ou rachada é separado e descartado. Não pode ser lavado nem higienizado de outra forma para aproveitar.
  • Crus e mal cozidos (art. 65). O cardápio do aplicativo de delivery é extensão do cardápio físico e também leva o asterisco e o aviso, visíveis antes de o cliente fechar o pedido.
  • Resfriamento (arts. 66 e 67). Banho de gelo, com água e gelo, pode ajudar a resfriar, desde que seja higiênico e eficaz. A água e o gelo seguem o padrão de potabilidade.
  • Bufê (arts. 69 e 70). O dispositivo de fechamento do art. 70 é para a área de venda. No bufê, que é área de consumo, vale a barreira de proteção do art. 69.
  • Condimentos (art. 75). Refeições ficam fora da regra. A porção individual não precisa ser sachê industrializado; outra embalagem individual higiênica atende.
  • Carne descongelada (art. 78). A informação de que o produto foi descongelado pode estar só na etiqueta, sem cartaz na área de venda, desde que fique clara para o consumidor.
  • Rótulo no supermercado (art. 81). As advertências sobre alergênicos, lactose e glúten valem também para o que o supermercado prepara, fraciona e embala para vender na própria loja.
  • Garçom que cobra na mesa (art. 85). Não carregar maquininha, comanda ou dinheiro junto com pratos ou bandejas, e higienizar as mãos depois de cobrar e antes de voltar a tocar alimentos ou utensílios limpos.
  • Doação (art. 86). Vale tanto para o que ficou na área de preparo quanto para o que foi exposto no balcão, se o tempo e a temperatura do art. 60 foram respeitados. Refrigerar depois não reinicia nem amplia o prazo: um alimento mantido a 60 °C ou mais por 5 horas pode ser doado, mas a geladeira não lhe dá prazo além do limite da exposição. O CVS cita também a Lei 15.224/2025, da Política Nacional de Combate à Perda e ao Desperdício de Alimentos.
  • Granel vegetal (arts. 91 e 95). A seção não vale para hortifrútis in natura. O lavatório exclusivo é da área onde se fraciona e embala sem o cliente, não da seção de frutas, legumes e verduras.
  • Chás (art. 98). Camomila e outras ervas vendidas como alimento para infusão, sem alegação terapêutica ou medicinal, continuam permitidas a granel.
  • Amostras (art. 99). Refeição de funcionários em serviço de alimentação coletiva também tem amostra, mesmo com menos de uma hora de distribuição. Saco plástico de primeiro uso, fornecido lacrado um a um e aberto só na coleta, vale como saco estéril.
  • Lacre do delivery (art. 112). Um lacre na sacola ou caixa externa basta se não for possível chegar aos alimentos sem rompê-lo. Embalagens que vão soltas ou que podem ser abertas sem romper o lacre externo precisam de lacre próprio.
  • Lavatório do cliente (art. 141). Em shopping, aeroporto ou mercado, o lavatório do local pode ser considerado se estiver na área de alimentação.
  • Tanque de limpeza (art. 142). Lavar material de limpeza na área de utensílios em outro horário, ou com mangueira apontada para o ralo, não atende. É preciso área exclusiva com tanque e apoio para escorrer o material.
  • Lâminas e escovas (art. 150). Lâmina de barbear não pode, nem para riscar massa de pão; navalha ou bisturi culinário próprio para massas é permitido. Escova de dentes também não, mesmo identificada e de uso exclusivo.
  • Câmara fria (art. 152). Placa de aviso não substitui o interruptor externo com sinalização de ligado e desligado. Câmara antiga precisa ser avaliada para adequação.
  • Tapete (art. 154). A proibição vale nas áreas de manipulação, armazenamento e preparo. Tapete ou carpete decorativo na área de consumo pode ser avaliado, se não comprometer a higiene.
  • Passa-pratos (art. 159). A regra vale para guichês e passa-pratos que ligam a área externa ou de atendimento à manipulação.

Capítulo VIII: avisos ao consumidor (arts. 182 a 186)

Os serviços de alimentação vão informar no cardápio a presença dos principais alimentos alergênicos (art. 182) e de glúten, lactose e álcool (art. 183). O aviso pode ser texto, ícone, imagem ou legenda, com cartazes como complemento (art. 184). Quem não consegue usar QR Code precisa de outra forma de acesso à informação (art. 185). Em self-service e expositores, o aviso vai na etiqueta ou placa do alimento (art. 186).

A lista do Anexo II tem 18 itens: trigo, centeio, cevada, aveia e híbridos; crustáceos; ovos; peixes; amendoim; soja; leites de mamíferos; amêndoa; avelã; castanha-de-caju; castanha-do-pará; macadâmia; nozes; pecã; pistache; pinoli; castanhas (Castanea) e látex natural.

Na prática, o aviso só fica certo se a ficha técnica de cada preparação listar os ingredientes, inclusive os de molhos e bases prontas, e se o POP tratar da contaminação cruzada. O guia de ficha técnica ajuda nessa etapa.

Por onde começar a adequação

A ordem sugerida abaixo é da VittaCheck, não da portaria. Ela começa pelo que demora: o que depende de laboratório, fornecedor, obra ou agenda da equipe. Até 31 de janeiro de 2027 vale a CVS 5: antecipe o que a CVS 3 tem de mais rigoroso, que atende as duas, e não o que ela libera, como máscara e ovo cru.

  • 1. Exames e curso. Agendar coprocultura e parasitológico de quem ainda não fez e o curso de 8 horas de quem não tem certificado.
  • 2. Compras. Lacre de delivery, porções individuais de condimentos, termômetros calibrados, etiquetas, lixeiras de pedal.
  • 3. Laboratório e terceiros. Laudo de pH do arroz de sushi, certificado do reservatório, controle de pragas, laudo da água de poço.
  • 4. Documentos. Revisar o Manual e escrever os POPs que faltam para chegar aos nove. Trocar 74 °C por 75 °C em POPs e planilhas, o que já atende as duas normas. O cartaz das mãos com 40 segundos fica pronto para fevereiro; até lá, vale o de 3 minutos da CVS 5.
  • 5. Planilhas. Recebimento com a tabela do art. 30, equipamentos duas vezes ao dia, exposição a cada 2 horas, transporte no início e no fim.
  • 6. Cardápio. Asterisco e aviso de crus ou mal cozidos (art. 65) e avisos de alergênicos, glúten, lactose e álcool (arts. 182 a 186), os dois a partir de 01/02/2027.
  • 7. Treinamento e verificação. Treinar a equipe nas mudanças e conferir na rotina. Ajustar o Manual sem mudar a operação não adequa o estabelecimento.
  • Use o checklist gratuito da CVS 3/2026 para registrar o que já atende e o que falta.

Erros comuns na adequação

Os erros abaixo aparecem com frequência em material produzido às pressas nas semanas antes da vigência.

  • Usar a versão de julho sem as alterações da republicação de 28/09/2026.
  • Dizer que a máscara é obrigatória ou proibida. É opcional, com critérios escritos se for adotada (art. 15, §3º).
  • Tratar os 40 segundos como tempo total da lavagem das mãos.
  • Aplicar a guarda de amostras do art. 99 a qualquer restaurante, sem conferir se ele está na lista.
  • Exigir sachê industrializado para condimentos ou aplicar a regra a refeições.
  • Esquecer que o curso de 8 horas vale para todos os manipuladores, inclusive copa e salão quando porcionam ou servem.
  • Montar sushi na peixaria em horário alternado ou refrigerar a sobra do balcão para doar depois como se o prazo recomeçasse. Pelo CVS, nenhum dos dois atende (arts. 56 e 86).
  • Trocar só o texto do Manual sem mudar planilhas, cartazes, treinamento e compras.

Fontes públicas consultadas

Os links abaixo sustentam os pontos técnicos deste guia. Consulte a versão vigente e as regras locais antes de aplicar qualquer requisito ao cliente.

Este conteúdo oferece orientação geral. Antes de definir um requisito ou assinar um entregável, confirme a norma vigente, o enquadramento do produto e as regras da autoridade local e do conselho profissional.

Organize a adequação à CVS 3/2026

No VittaCheck, os artigos da CVS 3 viram perguntas do checklist com a base legal ao lado. Cada ajuste sai da visita com responsável, prazo e evidência, e você vê o que já foi resolvido e o que ainda depende do cliente.

No VittaCheck, você continua por aqui

  • transforma o requisito aplicável em um checklist ajustado ao tipo de unidade
  • consulta a legislação durante o preenchimento, sem separar a regra da evidência
  • acompanha adequações com status, responsáveis, fotos e histórico de revisita
Ver o VittaCheck por dentro

Entre na lista de espera gratuita para receber o aviso quando o acesso abrir.

Perguntas frequentes sobre a CVS 3/2026